À conversa com... Anna Lins

FOMOS FALAR COM A CHEF ANNA LINS RESPONSÁVEL PELAS NOVAS RECEITAS DO NOVO
ESPAÇO SUSHI BAR GO NATURAL DO EL CORTE INGLÉS. QUISEMOS SABER DONDE VEM A SUA
INSPIRAÇÃO PARA AS RECEITAS SAUDÁVEIS QUE CRIA.


 

Ana Lins


 

Tinha o sonho de ser fotógrafa, mas acabou na cozinha. Como é que isso aconteceu?
O meu percurso é uma história pouco romântica, pois não sonhava ser cozinheira de cozinha asiática. São coisas da vida. Iniciei-me nas artes da fotografia, mas não correu bem. A minha fotografia era de galeria e não havia espaço no mercado português para me afirmar e por isso resolvi fazer uma formação em Inglaterra.
Entretanto, já cozinhava para amigos, que me diziam que devia tirar um curso de cozinha pois tinha jeitinho para isso. E eu pensei: “se tenho jeitinho então vamos embora, tenho de trabalhar para pagar a renda”.
Depois de fazer um curso de cozinha descobri que seria uma boa opção. Dei este passo para a cozinha, sempre a pensar que ia manter a fotografia como part-time, o que não aconteceu por falta de tempo. Mas na verdade a “arte” e a cozinha estão muito ligadas pela estética visual dos sabores. Quem vem deste mundo tem mais facilidade (parece um dado adquirido) e só temos que nos preocupar com a técnica.

 

Como começou a sua paixão pela cozinha asiática?
Estudei na escola de hotelaria do Estoril, e no segundo ano de licenciatura achei que precisava de mais prática pois o curso era muito teórico, tinha cadeiras como toxicologia, micrologia, química alimentar, recursos humanos, entre outras disciplinas. Procurei perto da escola um local onde pudesse trabalhar para conjugar o estudo com trabalho, e o hotel mais próximo era o da Penha Longa. Na altura queria trabalhar em banquetes, casamentos para fazer um extra, mas não havia vagas. O lugar que estava disponível era a trabalhar na cozinha japonesa, e aceitei logo pois o que queria era cozinhar. Também não tinha noção nenhuma da cozinha japonesa, e comecei a trabalhar neste, que era um dos poucos restaurantes em Portugal que fazia sushi. O hotel pertencia a japoneses, a exigência era muito grande e foi uma experiência muito gratificante.
Quando terminei o curso comecei a pesquisar sobre o Sudoeste Asiático e apaixonei-me por vários países desta zona. A minha formação é internacional, mas em termos práticos especializei-me na cozinha asiática.


Quando aplica as novas tendências da comida saudável na sua cozinha com o que se preocupa?
Para mim é muito fácil, pois todo o sudoeste asiático tem por base a comida saudável. Portanto não há esforço absolutamente nenhum. Aqui o esforço é não tentar ocidentalizar demasiado a comida.
Se cair na esparrela de puxar os sabores mais para os gostos ocidentais vou estar a estragar algo que na sua génese é saudável. Por isso, para mim o mais fácil é tentar andar para trás e recorrer à tradição asiática. Esse passo foi muito simples.

 


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Sushi bar Go Natural do El Corte Inglés reabriu com um
novo espaço e decoração que o aproxima da nova
imagem da Go Natural. Para nós é o que importa. Esta
apresentação reflecte-se ainda nos produtos que
apresentamos com um esforço para tornar a oferta de
sushi ainda mais saudável.


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    Temakis
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    Okonomiyaki de camarão
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    Novidades
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    Espetadas de frango
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    Vários


 

O novo menu do Sushi bar Go Natural do El Corte Inglés mais saudável e apela a uma nova viagem de sabores aos seus clientes. Quer nos descrever esta experiência?
No espaço do sushi bar temos duas frentes. Em primeiro lugar tentámos aproximar ao que é mais tradicional, e conseguimos chegar muito próximo do que é o conceito tradicional japonês da alimentação. Retiramos algum açúcar do tempero do arroz do sushi (o tempero é vinagre sal e açúcar), que nos gostos ocidentais tinha ficado cada mais doce. Demos um passo atrás e retiramos algum açúcar. O mais engraçado é que as pessoas não deram por isso, portanto em paladar não fazia diferença. Também retirámos o excesso de queijo creme, uma muleta que veio da influência brasileira e americana no sushi e que não é tradicional, pois os japoneses não metem queijo creme nos rolos. O que também ajuda aqueles que são intolerantes aos lacticínios.
Em segundo lugar inovámos. E neste ponto fomos buscar algumas tendências que não são típicas japonesas: inserimos a quinoa dentro dos nosso rolos. Isto porque hoje em dia há muita gente que prefere não comer o arroz porque é um hidrato de carbono. Apesar de ser necessário à nossa dieta, muitos evitam-no, e por isso inserimos a quinoa (um cereal proteico) nos rolos e temakis.
O cliente faz a escolha do recheio livremente. Inserimos ainda mais alface e saladas, e também mantivemos a opção sem o arroz, que é o tradicional do sushi. A palavra sushi significa vinagre (su) e arroz (shi que vem da palavra meshi). Por isso não falamos de sushi se não existir arroz.
Finalmente, introduzimos os pratos quentes para complementar a oferta. Muitas vezes os clientes estão acompanhados de alguém que não gosta de comer peixe cru, e assim têm a opção dos pratos quentes tipicamente japoneses. Isto dentro de uma oferta de sushi bar, o que proporciona mais variedade e contribui para o convívio.


Quais são os seus pratos favoritos neste novo menu?
Em relação aos pratos novos estou muito satisfeita: com as duas receitas de pratos quentes estamos a ter uma boa reacção do público.

O prato típico que está a ter uma aceitação fantástica é o arroz salteado com legumes e com espetadinhas de frango, que é o que as crianças comem no Japão e é o mais simples possível. Do lado radical, mas também muito típico é o okonomiyaki, uma panqueca feita com couve. Temos a panqueca de couve com camarões por cima, uma mistura de dois molhos com maionese e tonkatsu que é um ketchup. Juntamos flocos de atum seco, o que em termos de paladar está mais à margem, é diferente, mas as pessoas estão a adorar. Estou muito surpreendida com a reacção dos clientes a estas novidades, que fazem parte dos meus pratos pessoais favoritos.


 

 
Ana Lins 
 
 
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