Biológico sim por favor!
 

Por Cláudia Villax

 

Muito se fala sobre os produtos biológicos mas muitas vezes não se compreende bem o que isso significa e as consequências de seguir uma alimentação que têm em conta a origem da produção.

 

 
 

Por definição as frutas, legumes e cereais devem ter origem em sementes que não são geneticamente modificadas e estes produtos são cultivados sem pesticidas ou adubos ou fertilizantes de síntese. Só assim conseguem a identificação “bio” na sua embalagem. Globalmente a agricultura biológica é mais do que uma forma de viver e comer saudável, uma vez que tem inerentes princípios éticos para tratar dos animais e mais respeito pela terra e água.

São muitas as razões para optar por produtos identificados como biológicos e estas são algumas delas:

-Não são cultivados com químicos, ou seja o seu crescimento é mais natural e não é forçado.

-Têm mais nutrientes (vitaminas, minerais, entre outros) pois o solo onde são cultivados é tratado e alimentado de uma forma mais sustentável e responsável.

-O seu sabor é melhor do que os produtos derivados da agricultura convencional.

- Na carnes e derivados com selo “biológico” não se encontram hormonas, antibióticos e outros tipos de drogas que são usados nos produtos convencionais. O mesmo se aplica aos ovos e produtos lácteos.

- Como não são cultivados em ambientes artificiais (ou pelo menos não deviam), as frutas e os vegetais biológicos tendem a obedecer à estação adequada. Por isso, optar pelos alimentos certos de cada estação é sempre uma forma de comer o que é criado nessa altura, sem passar por meses de frigorífico, por exemplo.

- A agricultura biológica segue um conjunto de regras e práticas que são ecossustentáveis e em harmonia com a natureza. Ao consumir este tipo de produtos está a contribuir para a redução da poluição, a proteger a água e o solo.

 

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Mais do que uma “moda passageira” uma alimentação cuidada e sustentável, que tem em conta produtos mais saudáveis, será sempre positiva para o seu bem estar.

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Porque têm a fama de ser mais caros, muitos consumidores não consideram os produtos biológicos no seu cesto de compras. Mas isso não passa de um mito, pois se uma alface é biológica pode durar mais tempo e saber melhor, para além de ser mais nutritiva do que as outras cultivadas sobre a pressão comercial. Lembre-se que é o seu organismo que está a ingerir alimentos, que no longo prazo podem ser prejudiciais para a sua saúde.

 

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Quando está a ingerir produtos que têm o selo “biológico” desde a fruta a vegetais tem a segurança de que estes foram criados de uma forma mais natural, sem aditivos químicos que os fazem crescer mais depressa e forçam a sua composição, sem permitir que se desenvolvam com todos os seus nutrientes.
 
 


Algumas dicas para começar a consumir produtos biológicos:

1. Se é novo nestes meios visite uma loja de produtos biológicos e compre aquilo que terá prazer de cozinhar quando chegar a casa para experimentar novos sabores. Não se esqueça de transportar o seu saco reutilizável.

2. Verifique se o que compra tem o selo biológico.

3. Procure alguns mercados de cidade e província onde os vendedores são locais e tente comprar os produtos que são certificados “biológicos”. Se não existir essa marca escolha aqueles que têm um aspecto mais “fresco e verdadeiro”.

4. Alguns supermercados dão-lhe a possibilidade de comprar arroz, cereais e outros produtos secos a peso. Pode ser uma solução “mais barata” e adequada às suas necessidades.

5. Existem alguns produtos que são mais susceptíveis aos pesticidas (por terem uma pele mais fina e serem mais absorventes) e por isso será melhor optar sempre por comprá-los biológicos de forma a reduzir fortemente a exposição a estes tóxicos. Como por exemplo o aipo, morangos, cerejas, nectarinas, espinafres, maçãs, pêssegos, peras, uvas importadas, tomates e batatas. Por outro lado, existem outros que contêm normalmente menos pesticidas como: cebolas, abacate, milho doce, ananás, manga, espargos, kiwi, melão, ervilhas doces, repolho e toranjas.
 




 

Dividida entre o campo onde Cláudia Villax se dedica à produção de azeite biológico de produção limitada na quinta biologica Azeitona Verde e a cidade onde gere A Sociedade - oficina criativa gastronómica - um lugar onde a comida se conjuga com a sustentabilidade e a criatividade. Pelas fortes convicções na defesa da Terra e da sua biodiversidade, recebeu uma menção honrosa pela campanha «Adopte uma Oliveira Milenar Biológica», com o intuito de alertar sobre o que se está a passar com os olivais tradicionais portugueses e as variedades locais. É também autora dos livros, “A Vida Virgem Extra”, “Da Horta para a Mesa” e “Brunch”.