Estivemos à conversa com Ernst Götsch  

Fomos conversar com Ernst Götsch o fundador de um modelo de agricultura chamada sintrópica ou revolução verde.
 

Da horta à floresta - From garden to forest from Agenda Gotsch on Vimeo.


Um conceito que mistura vários métodos num só, como agricultura biológica, biodinâmica, agro-ecologia e permacultura. Ernst Götsch esteve no passado dia 4 de Outubro a dar uma palestra na Universidade Católica e nós quisemos saber mais sobre este método que anda ajudar a recuperar terrenos em risco de erosão em lugares como Amazónia.



Ernst pode apresentar-nos uma definição da agricultura sintrópica?
Tudo o que existe no universo sempre tem uma parte complementar. A sintropia são processos que vão do simples para o complexo e entropia é do complexo para o simples. Um emite energia e o outro complexifica. Hoje confirma-se que o que não vemos não existe, e o que não se vê coloca-se no espaço da casualidade. Mas na vida do planeta tudo é funcional, e é baseado em leis universais. É uma agricultura de processos que trabalha com as leis da natureza, e que está baseada nas interacções entre as plantas, como o sistema natural.
Resumindo: podemos dizer que este tipo de agricultura trabalha com a recuperação pelo uso, através do estabelecimento de áreas altamente produtivas e independentes de insumos externos.

E qual é a sua função como agricultor?
O meu trabalho é assegurar que tudo é funcional e que tudo se baseia na cooperação, que por sua vez resulta na abundância, na paz e vida. Eu trabalho como interlocutor para favorecer interacções com efeitos sinergéticos entre os diferentes participantes.

 



      A Agricultura Sintrópica trabalha com a recuperação pelo uso. Ou seja, o estabelecimento de áreas altamente produtivas e independentes de insumos externos tem como consequência a oferta de serviços ecossistêmicos, com especial destaque para a formação de solo, a regulação do micro-clima e o favorecimento do ciclo da água.



      Quer comentar a sua abordagem em relação às pragas?
      No meu ponto de vista não existem pragas, mas estas correspondem ao sistema imunológico, e existem como agentes do departamento de optimização dos processos da vida. Cada uma tem uma função. E assim não pode ser vista como negativa, uma vez que cumpre a função de complexificação. A minha arte, como agricultor é criar interacções para que os processos aconteçam com efeitos sinergéticos entre cada, e que cada um contribua da melhor forma.

      Quando tem uma praga que reage, o que posso fazer para que essa inflamação se vá embora?
      Como posso interagir, para que não precisem de se manifestar. Quando trabalho para ter um sistema próspero e vigoroso não tenho doenças. Preciso de encontrar a sua mensagem e adoptá-la como aliada para resolver o problema concreto.
       

      • bg

       

      Será possível promover e generalizar o modelo de agricultura sintrópica?
      É perfeitamente possível. A natureza mostra-nos como fazer, mas até agora todos os agricultores que conheço (tradicionais ou biológicos) trabalham com insumos (químicos ou orgânicos) e queimam para excluir. Temos de trabalhar de outra forma e perguntar como podemos estimular e elevar os princípios de interacção entre todas as espécies, que agem baseadas nos princípios da lei universal.

      E em relação à alimentação, existe alguma ligação?
      Tu és o que comes. Este é um velho provérbio romano adoptado em todas as línguas latinas, que diz tudo. É um velho conhecimento, que se reflecte no seu organismo.

      Se querem saber mais sobre agricultura sintrópica e o Ernst Gostch visitem o site oficial http://agendagotsch.com/